Hoje eu acordei pensando em mim.
Chorei quando lembrei que minha mãe não vive mais.
Lembrei do dia em que ela chorou quando me viu chegar bonita.
Ouvi Marina contar que estava grávida de Deus.
Pensei no dia em que Deus mandou um recado para mim.
Voltei no tempo para escutar o diagnóstico de um câncer na mama.
Senti meu corpo cheio de leite.
O telefone tocou e fui ouvir a voz do meu homem ideal.
Espero por esse homem há 500 anos.
Estou cansada de tanto criar idéias novas para o mundo.
Meu mundo está cheio de imagens em branco e preto.
Senti uma dor no coração quando vi a criança pobre
dizendo que tinha fome.
Sofro com a miséria humana.
Meu pai é um mito que não paro de redefinir.
Meus mitos são silenciosos mas me esmagam.
Sinto-me esmagada pela força dos covardes.
Fico covarde quando você me tira para dançar.
Lembro do dia em que a morte veio me dizer que aqui
já havia acabado a festa.
Passei debaixo de uma ponte procurando o arco-íris.
Pulei no rio para pegar os peixes dourados.
Meu vestido de baile está rasgado.
Fiz 18 anos e não lembro.
Quebrei o salto dos meus sapatos de debutante.
Perdi minha tiara de prata com flores violetas.
Meus cabelos ficaram vermelhos.
Minha cama anda vazia porque não sei o que colocar nela.
Minha colcha de retalhos que minha avó me deu pegou fogo.
A casa onde moro tem cheiro de amoníaco misturado com canela.
Esqueci o leite no fogo porque fui ver a banda passar.
Meus amigos ficaram velhos e eu quero andar de patins.
Meu cão Rex aparece nos meus sonhos latindo em dó maior.
Não sei tocar piano e sofro por isso.
Aprendi a cartilha no jardim-de-infância de puro medo da professora.
Andei pelas ruas escuras do meu bairro anos infindos.
A porta do cemitério estava sempre aberta.
Noite passada entrei para ver quem me chamava pelo nome de Tereza...
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
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